PUB
..



Fomos falar com Vitalic depois da sua passagem por Portugal no início do mês de Dezembro. O Lux, o Via Latina e o Indústria foram quem receberam este dj, que revela ter adorado imenso qualquer uma das três actuações.
Vitalic chama-se na realidade Pascal Arbez, e trouxe consigo uma nova vitalidade à música electrónica. Musicalmente assume várias personalidades, mas é com Vitalic que atingiu maior sucesso, e foi através dela que este produtor visionário se deu a conhecer ao mundo no fim de 2001, com o lançamento de “Poney”, o seu primeiro EP, editado pela Gigolo.
O verdadeiro reconhecimento por parte do grande público, surgiu com o lançamento de “OK Cowboy”, o seu primeiro álbum de originais, que presenteou o mundo musical com temas já bem conhecidos como “ La Rock 01” , “My friend Dario”, ou “Poney Part 1” , e “Poney Part 2” . Vitalic descreve este álbum como “uma mistura de música de dança, órgãos experimentais, e música francesa”. “OK Cowboy” foi um álbum que demorou 3 anos a criar, e talvez por isso espelha uma maior maturidade musical por parte deste artista, mantendo ao mesmo tempo um nível de inovação que já o distingue.
O presente dedica-o à sua editora, Citizen Records, fundada em 2002, para o futuro Pascal promete mais trabalhos como Vitalic, mas de momento encontra-se a finalizar o primeiro EP, e primeiro álbum de “The Silures”, um novo projecto em que trabalha com Linda Lamb e que pretende apresentar em breve.

Olá Vitalic, tudo bem? Gostaste da tua pequena tour por Portugal? Que é que achaste do público?
Vitalic: Tudo bem. Um pouco cansado, depois desta semana intensa em Portugal, mas foi bom para o meu karma. A tour foi fantástica! Não estava à espera de receber tão boa resposta por parte o público, que foi sempre muito vivo e expressivo. Adorei tocar, e também conheci muitas boas pessoas durante a viagem.

E qual foi a tua noite favorita, e já agora porquê?
Vitalic: As três noites foram muito diferentes, quando comparamos clubes e públicos. O Lux é um sítio muito “fashion”, onde se juntaram muitas pessoas ligadas ao mundo artístico, o Via Latina é mais um sítio “punk”, e o Indústria, uma mistura de ambos os géneros. Não tenho que escolher um, já que as três actuações foram muito divertidas.

Tens uma opinião muito forte quando falas do estado actual da dance scene. Consideras que não está a morrer, mas sim a sofrer uma grande transformação. Podes explicar um pouco mais?
Vitalic: Eu acho que as coisas não podem nem devem se manter iguais para sempre. O techno costumava ser um circuito pequeno e formado por um pequeno grupo, com as suas próprias regras e códigos. Mas a música tem que evoluir, e nos anos mais recentes, as fronteiras entre todos os géneros musicais (rock, funk, disco …) têm diminuído. Foi a resposta à necessidade dos músicos e públicos explorarem outros terrenos. Acho também que diferenças entre os termos “underground” e “overground” são obsoletas. O facto de apenas um pequeno grupo de pessoas conseguir perceber um tema, não faz com que esse tenha qualidade. Uma música é boa ou má, quer seja “underground” ou não.

Que futuro gostaria de ver na indústria musica?
Vitalic: Não sei. Sou muito mau a fazer previsões relativamente ao mundo da música, e acho que ninguém sabe como é que as coisas vão evoluir. Eu gosto do estado actual das coisas, as vendas desceram devido aos downloads, mas as actuações compensam.



Numa altura em que já toda a gente percebe que a música está em fase de mudança, tu pareces estar à frente dos restantes, não seguindo, mas criando novos caminhos. Sempre que isso acontece, a imprensa no geral sente a necessidade de criar um novo Messias da música electrónica, mas a verdade é que muitos deles acabam por desaparecer após um bom primeiro trabalho. O que vais fazer para te manteres à frente desta evolução?
Vitalic: Já estás a falar do meu declínio? Eu vou compor música enquanto o conseguir fazer, sejam elas um sucesso ou não. Não tenho medo de um falhanço comercial, ou de uma má crítica por parte da imprensa ou mesmo do público. Ainda tenho a vontade de experimentar e descobrir novos sons. Morres quando perdes essa vontade, ou quando tens medo do que as pessoas possam pensar.

Relativamente ao teu som, e tal como qualquer outro artista, não gostas de ser rotulado. E como nós também não gostamos de rotular ninguém, considera esta uma oportunidade de explicar aos nossos leitores, o que podem eles esperar dos teus trabalhos (como “OK Cowboy”), ou de uma actuação tua.
Vitalic: Na realidade eu fiz o álbum sem pensar muito em conceitos musicais. Apenas fiz temas da forma como os queria fazer naquele momento. É por isso que o álbum abrange vários géneros musicais, do rock, ao disco, ao techno. No fim ao seleccionar os temas que ia ou não incluir no álbum, tentei apenas que ele fosse consistente.
Ao vivo tenho que incluir alguns temas conhecidos, por que continua a ter prazer ao tocar temas como “La Rock” ou “Newman”, e o público também espera ouvi-los. Incluo também novos temas, porque tocar apenas os temas conhecidos seria aborrecido. Resumindo, as actuações ao vivo são mais directas do que o álbum, isto porque uma actuação ao vivo é dedicada à pista.


Vitalic é uma personalidade que já tem uma boa reputação na dance scene, mas pretendes explorar novas sonoridades usando esse nome, ou irás criar novas personalidades no futuro, talvez uma personalidade portuguesa? Que outros tipos de vertentes gostarias de explorar?
Vitalic: Estou a explorar outras coisas com o meu projecto “The Silures”, que também inclui a Linda Lamb. “The Silures” é mais pop que Vitalic, mas eu tento evitar as fronteiras, por isso que se me apetecer produzir outras vertentes, faço-o sem hesitação. Mas uma ideia de um personagem português para o meu próximo projecto é interessante, mais latino …

O que reserva o futuro para Pascal Arbez?
Vitalic: Tenho algumas actuações até ao fim de Dezembro, e estou a terminar o EP de The Silures, e depois disso vem o álbum. Neste momento, também estou a dedicar muito tempo à Citizen, a minha editora, porque temos muitos novos discos excitantes para lançar.

Que produtores têm-te agradado ultimamente?
Vitalic: Eu gosto do Nathan Fake, Whitey (uma banda rock inglesa), Metro Area e Shokers, sendo que este último irá lançar em breve o próximo EP pela Citizen Records.

Alguma mensagem especial para os teus fan's portugueses?
Vitalic: Sem querer me repetir, gostaria de dizer que as três actuações foram muito boas, e espero para o ano voltar a actuar em Portugal.

WEB
WEB
www.citizen-records.com
DATA: 08 DE DEZEMBRO DE 2005
PARA COMENTAR ESTA NOTÍCIA, UTILIZE O NOSSO FORUM. CLIQUE AQUI PARA ACEDER