O colectivo alemão Traum Schallplatten celebra em 2008, 10 anos de actividade com uma compilação de temas inéditos, o seu 100º lançamento em vinil e uma série de eventos em todo o mundo, um deles na Madeira, no dia 31 de Maio.
O evento contará com a actuação dos artistas: Cosmic Sandwich, Pierce e Red Robin, e ainda dos artistas madeirenses Indigo Dancers e Hugo Olim.
A Traum é uma editora alemã, com origem na cidade de Cologne, gerida por Triple R (Riley) e Jacqueline e é a casa de 5 editoras distintas: Traum, Trapez, Trapez Ltd, My Best Friend (MBF) e MBF Ltd. Entre os artistas que já publicaram temas por esta editora encontramos nomes tão conceituados como: Miniloge, Nathan Fake, Oliver Hacke, Break3000, Extrawelt, Gabriel Ananda, Dominik Eulberg, entre muitos outros.
Fomos falar com o casal Reinhold para descobrir um pouco mais sobre a Traum.

Olá a ambos, podem guiar-nos pelas diferentes secções da companhia?
Jacqueline & Riley:
A Traum foi fundada em 1998, e completa agora 10 anos de história musical. Hoje em dia, a Traum Schallplatten é um grupo de diversas editoras e outras áreas da indústria.
A editora é conduzida por Jacqueline Reinhold (management) e Riley Reinhold (A&R). Steve Barnes e Yvette Klein também estão com a editora desde o princípio. O Steve que já lançou pela Traum como Process e na MBF como Cosmic Sandwich dirige a parte promocional das editoras. A Yvette é responsável pela secção de design e multimédia do grupo Traum Schallplatten.
Quando abrimos a vertente Traum Booking Agency à 3 anos atrás, o nosso amigo Axel juntou-se a nós. Ele era parte do projecto Salz, juntamente com Emanuel Geller.
Quando nos mudamos para o novo escritório, no principio de 2008, Emanuel que masteriza os temas para as nossas editoras, também mudou o seu estúdio para cá.
É claro que ainda trabalhamos com pessoas externas como a Anne Ohlen.

Como surgiu a empresa? Façam-nos um balanço.
J&R:
Quando começamos a editora nos já tínhamos a experiência de djing à vários anos, e tínhamos muito interesse e conhecimento de vertentes como Electro Pop, Chicago, New Wave, Rock, e claro também tínhamos muita experiência na produção de festas techno em Cologne.
As festas eram muito populares e pessoas como Wolfgang Voigt, Holger Czukay (CAN), Andreas Dorau, Khan, Marcel Janowsky... eram convidados regulares. Por isso quando iniciamos a editora, começamos por lançar temas que gostávamos, de pessoas que conhecíamos, como Gustavo Lamas, Process, Dinky, Philippe Cam. Na altura não havia qualquer tipo de promoção.
O Richie Hawtin adorou os temas de Process e até pediu segundas cópias porque tinha tocado em demasia as primeiras. As pessoas gostaram de nós desde o início.
4 A 5 anos mais tarde, em 2003, quando montamos o nosso segundo escritório na rua em frente aos escritórios da Kompakt, começamos a trabalhar mais orientados para a música de pista.
Com o sucesso de “Die Rotbauchunken vom Tegernsee” do Dominik Eulberg, que foi o maior hit que alguma vez tivemos, a editora mudou e estabeleceu-se de uma forma mais forte dentro da dance scene internacional.
Agora em 2008, o nosso 100º lançamento chamado de “Traum 100“ é uma celebração dos nossos artistas de topo, apenas lá falta o Extrawelt.

Nós vemos surgir muita música de qualidade em Cologne, qual a razão por haver tão bons artistas nascidos nessa cidade? Será da água?
J&R:
A cidade é simples e após algum tempo, tu fartas-te e começas a desenvolver a tua própria perspectiva. Para nós, isto aconteceu em 1991, nessa altura todo o party people de Cologne partilhavam esse sentimento.

Iniciando-se em 1998, a Traum evoluiu lado a lado com a revolução multimédia da internet. Qual a vossa opinião no que se refere à influência (boa e má) da internet na indústria dos dias de hoje?
J&R:
A internet é certamente o meio mais rápido e apropriado de deslocar informação de A para B. Seria impossível trabalhar da forma como trabalhamos sem o uso da internet.
Toda a discussão sobre os prós e contras no que concerne ao mercado de música electrónica independente é ... desnecessária, isto é uma situação global, e trabalhar apenas numa dimensão e numa cultura especifica é algo que tem que acabar.
Vários músicos na indústria rock e electrónica, demoraram anos até se tornarem conhecidos internacionalmente.
Hoje em dia é necessário gastar algum tempo para perceber a música e descobrir o seu próprio lugar, o seu próprio estilo. Não podes criar um tema no Abelton e envia-lo logo para uma editora, é preciso que esse tema seja uma reflexão da tua experiência de vida.
Os caminhos digitais são tentadores, e isso exige muito do critério de selecção dos A&R hoje em dia.
O outro aspecto é a disponibilidade de toda a indústria na internet, e isso acho que é relativamente mau, porque já existem muito poucos segredos para descobrir, e muita gente não é criativa e limita-se a comprar hit’s. Eventualmente o “techno Jukebox DJ“ vai aparecer mais frequentemente e o DJ original terá alguns problemas em encontrar o seu lugar.

Os vossos lançamentos em vinil estão em perigo?
J&R:
É difícil de dizer, mas nós estamos estabelecidos e temos um nome bem conhecido a nível internacional, e isso tem-nos ajudado a vender um bom número de edições em vinil. Nós adoramos o vinil e tentaremos mantê-lo vivo.



A Traum sempre foi conhecida por ser receptiva aos novos artistas, ainda mantêm essa filosofia?
J&R:
Sim as nossas mentes ainda continuam abertas à música vinda de todo o mundo. Até já lançamos temas vindos de Lisboa, do artista Zentex para a nossa série Interkontinental.
O que é importante para nós é que o artista produza de uma forma original, e que não tente copiar a moda corrente. Nós esperamos que haja por ai um novo Aphex Twin, com muita alma na sua música.

Relativamente ao evento de 31 de Maio na Madeira, o que pode o público esperar de Pierce, Red Robin e Cosmic Sandwich (será uma actuação ao vivo)?
J&R:
Sim, o Cosmic Sandwish é bem conhecido em Portugal e já tocou várias vezes no vosso país. Red Robin é um dj de topo em Berlim, bem orientado para a pista de dança. O Pierce é um dj de Cologne, que gosta de trabalhar com grandes baixos, por isso é de esperar um som bem potente.

Fora da Traum, que artistas têm vindo a ouvir/acompanhar?
J&R:
Nós apreciamos muita música, especialmente de novos produtores.

Que futuros lançamentos podemos aguardar do grupo Traum?
J&R:
Música techno underground sempre muito original. Algumas surpresas irão surgir na Traum, uma vez que queremos levar a editora até ao próximo nível. A ideia é desenvolver a editora, da mesma forma que fizemos com a Trapez LTD em 2007/2008.

DATA: 22 DE MAIO DE 2008

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