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Aproveitando a vinda de Sasha a Portugal, voltamos a falar com aquele que será um dos dj's e produtores mais pioneiros da música de dança a nível mundial.
Bem disposto como sempre, Sasha fala-nos da sua actuação em Portugal, do seu novo “gadget” ao qual chamou de Maven e da sua nova compilação, a Fundacion que irá sair dia 13 de Junho pela Global Underground.
Alexander Coe, mais conhecido como Sasha, nasceu em Gales, mas iniciou a sua carreira no Shelly's Club em Manchester. Em 1994 juntamente com John Digweeed lançam “Renaissance: The Mix Collection”, que deu-os a conhecer ao mundo, e tornou-os numa das duplas mais famosas da música electrónica.
Desde então Sasha evoluiu através de vários estilos, embora o progressivo continue a ser a sua sonoridade mais predominante. Responsável pelo lançamento de dj's como James Zabiela, assumidamente apologista do som digital, Sasha é certamente um dos nomes mais inovadores e conceituados da dance scene internacional.
Involver foi a sua mais recente criação e como o próprio afirma, “Involver” o novo álbum é uma experiência, “O vinyl apenas consegue contar parte da história. Eu estou abraçando a tecnologia para obter uma nova interpretação de mixing. O Involver é a minha experiência.” – Sasha. Este álbum conta com um re-work do tema “On My Own” de Ulrich Schnauss e ainda remixes de Félix da Housecat, Grand National e UNKLE. Sendo o seu primeiro grande lançamento desde o aclamado álbum “Airdrawndagger”, com “Involver”, Sasha quebra as barreiras que separam o cd mixado de um álbum de originais.

Olá Sasha, vamos começar pela tua estreia em Portugal, foi uma data escolhida com cuidado ou foi a primeira oportunidade de vires até Lisboa?
Sasha:
Olá, eu sei que o evento será muito especial, mas também penso que esta foi a primeira vez que surgiu a oportunidade de ir tocar a Portugal, e estou muito ansioso por ai chegar.

O que conheces da nossa dance scene?
Sasha:
Conheço o Vibe e o Rui da Silva, mas para além disso não conheço muito mais, apenas aquilo que me disseram os meus amigos dj's que já ai tocaram, e eles adoraram, especialmente o Steve (Lawler) que está sempre a falar do quanto adorou tocar em Portugal. Por isso estou certo que irei gostar do que vou encontrar.

Vens tocar para um evento grande, são esperadas cerca de 10.000 pessoas, para um bom line-up que inclui também o Félix da Housecat e o Vibe. Quais são as tuas expectativas relativamente a este evento?
Sasha:
Bem, não sei muito sobre o evento. Sei que é grande e também sei que Lisboa parece estar numa boa altura para a música de dança. Sei que o Steve Lawler adorou tocar no mega-evento que ocorreu ai no fim-de-semana passado, por isso espero apanhar também um bom evento, e que o público goste da minha sonoridade.

E o que é que o público pode esperar de ti?
Sasha:
Muita música nova. Como sabes vou tocar com o meu set-up que inclui o Apple, o Ableton Live e o Maven, e isso permite-me exprimir da melhor forma o meu som.
Espero também que o Liverpool ganhe a final da liga dos campeões nesse dia, era bom para a minha disposição (risos), embora saiba que provavelmente vocês prefeririam que fosse o Chelsea a chegar à final.

As tuas produções sempre tiveram um toque de qualidade, mas o teu djing teve uma fase estranha em 2002 e 2003, e sei que te referes a este período como uma “fase má”. O que aconteceu?
Sasha:
Sabes, o Airdrawndagger levou-me 9 meses de estúdio. E durante todo esse tempo eu tive ausente da cena internacional, lógico que isso acabou por danificar o meu djing. Foi mau para mim, porque eu não estava a par do que se estava a passar.
Na realidade, a nível de djing eu acho que só me voltei a encontrar comigo mesmo em 2004 quando já usava o Ableton, e quando já tinha a funcionar o meu server FTP, que é para onde todos os novos temas são enviados. Acho que nunca mais me vou retirar da dance scene durante tanto tempo, agora só quando me retirar.
Mas acabou por ser um processo de evolução, e se reparares, o Airdrawndagger levou-me 9 meses, mas o Involver apenas 3, e mesmo assim com este último eu nunca me abstraí completamente da dance scene.

Tu és, deixa cá ver a palavra … um “geek” a nível tecnológico (risos). Sempre a par das novas tecnologias e a tentar ir de encontro ao futuro, mas não achas que a tecnologia está a mudar demasiado o djing? Muitas das vezes já nem é um disk jockey por detrás da cabine, e no teu caso é mais um … MAAJ (Maven, Apple, Ableton, Jockey).
Sasha:
(risos) É verdade sou mesmo um “geek”, mas continuo a ser um dj na mesma. Eu continua a tocar músicas de outros artistas, continuo a misturar, e continuo a ser eu a escolher a forma correcta de como encaixas os temas no meu set. Por isso, eu acho que é apenas parte do processo de evolução natural e eu apenas estou a me adaptar ao futuro. O vinil serviu os dj's tão bem durante tanto tempo, mas não irá durar para sempre pois não. Todos os meses fecham fábricas responsáveis pelo fabrico de vinis, pelo que serão cada vez mais raros, caros e frágeis.
Mas o que faço continua a ser djing, e adoro este novo processo, já que me permite ser muito mais criativo.



O Involver levou-te 3 meses a criar, mas a tua nova compilação levou-te apenas alguns dias. Foi o Maven responsável por este rápido processo de criação?
Sasha:
Sim e não. O Involver levou-me 3 meses porque eu estava a testar toda a cena Ableton, era um novo formato e eu estava a me adaptar. Mas agora usando o Maven, eu tenho uma forma mais eficiente de trabalhar, por isso o Fundacion foi como outra compilação qualquer e apenas me levou 3 dias.

Qual a principal diferença entre o Involver e o Fundacion?
Sasha:
Hum … o processo de criação, já que o Fundacion é como que uma evolução de tudo o que eu aprendi.

No Fundacion chegas a misturar elementos de 5 temas diferentes ao mesmo tempo. Qual foi o processo de criação por detrás desta compilação e como escolheste os temas?
Sasha:
Basicamente foi um simples acto de djing, ou seja apenas misturei os temas de forma original. O único problema foi a escolha, mas até isso acabou por correr de forma suave.

Este álbum surge a partir das residências que tens actualmente no Crobar em NY e no Avalon em LA. Mas agora vais mudar a tua residência para um renovado Space em Ibiza. Acabas por mudar a sonoridade destas noites de acordo com o local, ou é apenas um estilo de som Fundacion?
Sasha:
Claro que muda de acordo com o local e respectivo público, mas não só, eu tenho vários dj's convidados a actuar também, por isso eles também introduzem o seu próprio som nas noites Fundacion. Tive pessoas como o Josh Wink que tocou um fantástico acid funk house, e pessoas como o Zabiela que tocou um género mais breakbeat.

Para além do Fundacion, tens alguma coisa preparada para sair?
Sasha:
Na realidade não, o Fundacion será o meu único lançamento para breve, já que estou a me preparar para o tour de Verão. Vou estar a ir de sítio para sítio, por isso não vou ter tempo para parar um pouco e produzir. Por isso agora é de volta ao djing.

Que conselho darias aos novos dj's e produtores por ai?
Sasha:
Sejam persistentes com o vosso trabalho, e sejam inteligentes, não imitem ninguém. Existem milhares e milhares de dj's por todo o mundo, e a maioria deles apenas está a tentar imitar aqueles que são considerados os modelos de dj. E a imitação nunca te levará ao reconhecimento pelo teu próprio som.
Encontrem a vossa própria sonoridade, encontrem a vossa originalidade e assim irão encontrar o vosso lugar no mundo do djing.

DATA: 18 DE MAIO DE 2005
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