
Depois de um aclamado “Viva London”, Steve Lawler regressa com mais um capítulo da série Viva, desta vez com uma excursão até Toronto, levando-nos primeiro até dentro do clube Guvurnment e depois até ao ar livre para uma das suas afamadas sessões no terraço.
Segundo Lawler, a escolha de Toronto para esta edição prende-se com o facto de esta ser uma noite única, “é um grande clube, eu normalmente toco para 4000 pessoas na pista principal e depois acabo a noite e inicio o dia com uma actuação no terraço para cerca de 1000 pessoas”.
Nesta compilação, Steve Lawler mostra-nos que soube manter uma sonoridade bem actual, muito versátil e nesta entrevista fala-nos obviamente sobre a nova compilação, um novo single, e ainda sobre o que pensa da evolução da música electrónica, e os seus planos futuros para a sua editora digital Viva.
Olá Steve, esta compilação tem duas facetas, “Inside” e “Outside”, mostrando um Lawler muito eclético. Guia-nos através do conceito desta compilação.
Steve Lawler: Na realidade é muito simples, todo o conceito da serie Viva é o de criar várias compilações que reflictam as minhas variadas residências em todo o mundo. London – Harlem Nights, Toronto – Guvernment, Ibiza – Space.
As compilações são para todos aqueles que acompanham as residências, é um CD para guardar, representa essas noites especiais. Mas é também para aqueles que por uma ou outra razão nunca puderam ir a uma dessas residências, assim têm a possibilidade de ouvir as sonoridades que por lá passam.
Quanto a este CD em específico, o conceito Inside/Ouside, reflecte as minhas actuações em Toronto, em que primeiro actuo dentro do clube e depois actuo no terraço.
Qual é a diferença em fazer uma compilação hoje, ou à 10 anos atrás? Hoje em dia, deves ter um maior ou mais fácil acesso a uma maior quantidade de música. Isso dificulta ou facilita a tua selecção?
Steve Lawler: Relativamente à primeira questão, é mais fácil criar a compilação. Por exemplo, com o Abelton Live tu consegues misturar, editar e fazer tudo mais facilmente. Há 10 anos atrás, quando eu comecei a fazer compilações o set-up era muito simples, um DAT, uma mesa de mistura, um par de Technics e era só isso, se te enganavas a misturar, tinhas que fazer tudo outra vez. Por isso a nível criativo, tornou-se mais fácil e muito melhor, uma vez que podes trabalhar muito mais profundamente na tua compilação.
Quanto à selecção musical, as coisas mudaram muito. Actualmente quando faço uma compilação já não preciso de andar de loja em loja a ouvir os discos novos, hoje em dia consigo fazê-lo no conforto do meu estúdio.
Conhecendo o teu passado e a tua evolução, é muito fácil ver que tu és um dos artistas que é verdadeiramente apaixonado pela música. Já passaste por vários géneros da música electrónica e admites não ficar por aqui. O que pensas da sua evolução e o que prevês para o seu futuro?
Steve Lawler: Parece-me que quando os géneros musicais são rotulados como “cool”, há uma migração de artistas de todo o mundo para essa sonoridade. O que acontece passado um tempo, é que acabam todos a produzir coisas semelhantes e nem sempre com qualidade, isso satura o género, tornando-o mais fraco e pobre a nível qualitativo. Nessa altura, alguns produtores e dj’s irão procurar algo novo, um novo estilo e acontecerá um novo ciclo.
Aconteceu a todos os géneros, tribal, progressivo, electro, minimal, techno. É a natureza da música de dança, estará em constante evolução. Eu pessoalmente tento procurar novas coisas, quero sempre criar e tocar música que seja menos óbvia, refinada.
Já te vimos a tocar vinil, cd’s e agora utilizas o Serato. Qual será o próximo passo?
Steve Lawler: A coisa mais importante para mim é que eu sou um DJ, ou seja eu misturo música. Actualmente com o Serato, continuo a misturar música em formato digital, e paralelamente ainda continuo a usar cd’s ou vinil. Não irei usar o Abelton Live como ferramenta de djing, simplesmente porque ele faz as misturas por ti. Eu uso o Abelton sim, mas no meu estúdio.
Eu quero continuar a sentir e a soar como alguém que mistura música.
Voltaste a Ibiza este Verão com uma nova residência no Space. Como correu a primeira noite? Feliz por regressar a Ibiza?
Steve Lawler: A primeira noite foi fantástica, o grande destaque do meu ano até agora, mal posso esperar pela próxima festa! O Darren Hughes do We Love e eu somos bons amigos, mas apenas passamos algum tempo juntos quando estou lá para actuar, é bom relaxar com a equipa We Love.
As noites lá lembram-me o passado, quando aparecia no início da festa, sentias a sinergia da sala, curtias o ambiente e depois actuavas. Para mim isso significa muito, a nível profissional e a nível pessoal.
Como esta a tua editora, a Viva? Acreditas que este formato de editora (apenas com lançamentos digitais) é o mais apropriado para os dias de hoje? Será esta a forma mais correcta de enfrentar todo o drama em torno da internet?
Steve Lawler: A Viva está sempre a crescer, estamos a editar temas de grandes artistas, Radio Slave, Marco Carola, Nicole Moudaber. Esta é uma altura muito importante, os lançamentos estão a ficar mais fortes e estão a ter um maior apoio por parte dos produtores. É aquilo pelo qual aspirávamos e estou muito contente com o resultado. As vendas estão óptimas, especialmente considerando o estado do mercado, como resultado disso mesmo, eu posso pagar aos artistas o que é algo muito reconfortante. É muito bom poder paga-los e fortalecer as relações, cria uma boa vibe.
Mas eu ainda tenho muitos planos por realizar. Festas da Viva, inspiradas por fórmulas que editoras como a Minus criaram. Ao fazer festas da editora, conseguimos ajudar os nossos artistas a fortalecer as suas carreiras, eu adoro o que a Minus fez nesse ramo e quero fazer o mesmo para a Viva.
Também quero fazer festas que sejam Viva Music vs outras editoras, eu actualmente toco 60% dos lançamentos da Viva nos meus set’s, por isso quero fazer mais festas que tenham esse som único da Viva.
E quanto a ti, para além desta compilação, que outros lançamentos tens previstos?
Steve Lawler: A compilação irá sair pela Renaissance e também tenho um novo tema original “Femme Fatale” que irá sair em Agosto pela Ovum, editora do Josh Wink.
Tracklist
CD One - Inside
1. Viva Toronto Intro - Friends - Viva Music
2. Robytek - Luna Africana (Reprise) - Rebirth
3. TG - Give It A Go - Renaissance Recordings
4. Calculus - Loosey Goosey (Reboot Rework) - Hairy Claw
5. Re:Axis - Outsider - Piso Records
6. Spektre - Capacitor - Suruba Records
7. Alecs Marta - Ramper (Patrick Zigon Remix) - Treibstoff
8. Alex Tepper - Grains (TG Remix) - Fling Recordings
9. Tmsstr - As You Like It (Original Mix) - Viva Music
10. Alex Costa - Pull & Bear (Ji-Fi Remix) - Presslab Records
11. Christian Smith & John Selway - Total Departure - Drumcode
12. Joel Mull - Red Light Of Dawn - Audiomatique Recordings
13. Markantonio & Joseph Capriati - Codice Morse - Bakerloo
14. Ilario Alicante - I Like To Serve - Atypical Farm Recordings
CD Two - Outside
1. Viva Toronto Intro - Computer Man - Viva Music
2. The Black Dog - EVP Echoes - Soma Recordings
3. Miss Fitz - Drifting On - Contexterrior Media
4. Nivek Tsoy - Time & Space - Dessous Recordings
5. Clé - Nomads - Poker Flat Recordings
6. Clé - All Dried Out - Poker Flat Recordings
7. Fetisch & Me - Diskotecktonik - International Deejay Gigolo Rec.
8. Stu Hirst - Cambio - Viva Music
9. Sie - Sublimes (Rone Mix) - Time Has Changed Records
10. Mathew Jonson - Symphony for the Apocalypse - Wagon Repair
11. Audion - Billy Says Go - Spectral Sound
12. Baggy Bukkador & Tim Fischbeck - Decade - Traum
13. Betoko - Xuplak - WOW Records
14. Dachshund - Perception - Perspectiv Records
15. Frank Martiniq - The Astropop Shop - Kickboxer