
Em 2004, durante a Winter Music Conference, Sander Kleinenberg foi o primeiro DJ a usar os novíssimos Pionner DVJ-X1’s nos seus DJ sets, não misturando apenas áudio, mas juntando também aqui o vídeo. O que é que isto provocou? Isto conduziu ao que se tornou parte integrante da experiência A/V (Áudio/Visual) de Sander Kleinemberg, passando a integrar em absoluto áudio e vídeo nos seus sets por todo o mundo.
No entanto, foi em 1996 que se começou a notabilizar globalmente. Com as suas edições nas labels Superstition e Wonka Beats, nesse mesmo ano Sander Kleinemberg criou a sua própria editora Deal Recordings. O single “Y.D.W.” (You Do Me Wrong) lançado pela Stricly Rhythm foi um estrondoso êxito um pouco por todo o mundo. E se dúvidas houvesse de que as suas produções tinham algo de especial, confirmaram-se com o lançamento de “Four Seasons”, “My Lexicon” e “Sacred”, tendo as duas últimas sido incluídas na premiada compilação Global Underground, de Sasha, de quem se tornou grande amigo e colaborador. Seguiram-se as remixes de Lamya e Justin Timberlake, que atingiram o topo das charts dos dois lados do Atlântico, confirmando em definitivo Sander Kleinenberg como uma das mais promissoras e emocionantes estrelas no mundo da Dance Music.
Em 2005, Sander estabeleceu várias A/V residências em todo o mundo, que tiveram lugar em alguns dos melhores clubes do mundo, como Ministry Of Sound, em Londres, Crobar em Nova York, Pacha de Ibiza e Le Queen Paris, entre outros.
Em 2007 passou pela Madeira para uma actuação no WeekendDance@GreenGrass.
Fomos falar com Sander Kleinenberg, e descobrir um pouco mais sobre o conceito DVJ.
Olá Sander, sabemos que provavelmente já estarás farto desta questão, mas uma vez que foste o primeiro dj a usar o conceito DVJ em publico, já deves estar habituado. Será que nos podias explicar o seu conceito e como surgiu esta parceria com a Pioneer?
Sander: O conceito tem como base o casamento entre o áudio e o visual, permitindo abrir novos caminhos para as actuações, ao mesmo tempo que mantém o desafio criativo para mim e para os fan’s. Penso que alguém na minha posição tem sempre que procurar novas tecnologias, ou pelo menos tentar. É uma luta constante para me manter na vanguarda, e para que continue a oferecer uma certa originalidade, ajudando-me a ser único.
A parceria com a Pioneer surgiu na altura certa, já que eu sempre procurei formas para melhorar a minha performance como dj. Perdi algum tempo a pesquisar e descobri que a Pioneer estava a preparar o lançamento de um leitor DVD amigo do dj, e o resto é história... a acontecer.
Acreditas que o DJV é o futuro da ligação entre o vjing e a música electrónica, ou acreditas que os vj’s terão sempre um papel relevante, e que isto é apenas uma outra forma de trazer uma atmosfera visual?
Sander: Criar conteúdos será sempre um trabalho para os VJ’s e artistas de vídeo. Quanto muito, este novo sistema coloca os vj’s num pedestal, permitindo-lhes mais oportunidades de brilhar e de se fazerem notar. Se mais dj’s introduzissem vj’s nas suas performances, mais dj’s procurariam este género de parceria, o que tornaria a carreira dos vj’s mais próspera. Houve uma altura em que os dj’s e vj’s trabalhavam em “palcos” diferentes, agora existe uma ponte que os faz trabalhar em conjunto, com o intuito de tornar a noite mais valiosa e unida.
Dizes que apontas sempre para o futuro, isso quer dizer que estás disposto a experimentar outro tipo de performances, como por exemplo “live” set-up’s através de interfaces midi?
Sander: Nunca sei o que o futuro me reserva, por isso nunca direi que não a uma possibilidade de uma performance ao vivo. Estou muito contente com o actual set-up das minhas actuações, mas como é que ele evoluirá, o tempo o dirá.
Recentemente lançaste a compilação “This is ...” através da Renaissance. Podes guiar-nos através da criação e significado desta compilação?
Sander: As compilações deveriam sempre reflectir aquilo que um dj é musicalmente. Eu pelo menos tento sempre encontrar um ponto de equilíbrio entre ensinar e agradar. Esta compilação acabou por um lado, por representar-me no que respeita ao que eu acho que é música interessante, mas também é uma colecção de música que despoleta emoções e inspira pessoas.
Tu és um daqueles dj’s, cujo sentido de liberdade criativa parece ser honesto e bem claro. Já viajas-te através de vários tipos de sonoridade, tocando um pouco de tudo, e sempre afirmando que actuas para os públicos e não para ti próprio. Queres falar um pouco do teu trajecto pela música, e de que forma encontras tempo para pesquisar novas vertentes?
Sander: Eu acho que o dj tem o trabalho de um navegador musical, um seleccionador de músicas que sejam relevantes no presente. O meu trabalho como dj, é o de seleccionar aquilo que eu acho adequado para tocar nos meus dj set’s. Isto significa dar menos ênfase ao estar por trás da cabine a sorrir, e mais a estar no estúdio a trabalhar em música. Será que podemos aprender isto? Ou será que terá algo a ver com talento? Deixo ao critério dos outros.

Relativamente à tua editora, o que se passa actualmente no universo da Little Mountain e que balanço fazes dessa experiência?
Sander: Eu comecei a editora como uma plataforma para permitir aos novos talentos criar e partilhar música. Sempre olhei para a editora, como um trabalho de amor, na forma como fornece novo material à cena electrónica, e acho que fizemos diferença.
Tivemos o privilégio de trabalhar com artistas como o Steve Porter, Matthew Dekay, Rene Amesz e Patch Park, que lançaram temas pela LMR durante os pontos mais importantes das suas carreiras.
Que achaste da Madeira? Tiveste tempo para visitar a ilha?
Sander: A Madeira é uma ilha lindíssima, ilha das flores, certo? Eu definitivamente gostaria de voltar para mostrar aos meus fan’s aquilo que eu realmente sou!
Neste momento existe algum tema ou artista que esteja sempre na tua mala?
Sander: Existem algumas pessoas que têm sido consistentes a fornecer boa música ultimamente, artistas como Nic Fanciulli, Dubfire e Gui Boratto.