
Fomos falar com os Dirt Crew, dupla composta por James Flavour e Break 3000, que lança agora o seu primeiro álbum de originais.
Intitulado “RAW”, este álbum inclui um primeiro CD de originais com 9 temas inéditos e um segundo CD composto por remixes anteriormente editados pelos Dirt Crew.
Embora a dupla afirme que são várias as sonoridades presentes em RAW, a verdade é que se trata de um trabalho baseado na vertente minimal, com algumas (mas poucas) influências de outras sonoridades.
Este projecto foi fundado em 2003 por James Flavour e Break 3000. Lançaram o primeiro EP em 2004, chamava-se “Cleaning up the Ghetto Part I”, e rapidamente ganharam a preferência de artistas como Trevor Jackson, Ivan Smagghe e Sasse (Freestyle Man).
Com “Cleaning up the Ghetto Part II” e o tema “Rok Da House”, atingiram uma popularidade incrível, e ao mesmo tempo que criavam a editora Dirt Crew Recordings, começaram a actuar um pouco por todo o mundo divulgando da melhor forma o que chamavam de “Dirty house music”.
Este é o vosso primeiro álbum, quando surgiu a ideia?
Dirt Crew: Nós já estávamos a planear este álbum há cerca de um ano, mas estivemos sempre muito ocupados com a realização de remixes, a nossa editora e as actuações. Por isso, esta última Primavera decidimos não aceitar mais pedidos de remixes, e mantivemos os fins-de-semana livres para podermos trabalhar no álbum. Tínhamos em mente fazer o álbum todo de seguida e acabamos por conseguir, o RAW foi feito em 6 semanas.
Qual foi o processo creativo que adoptaram? O tempo em que foi feito denota uma facilidade na produção, ou será que foi mais difícil do que aparenta?
Dirt Crew: Foi muito difícil porque apenas tínhamos 6 semanas para fazê-lo! Para sermos honestos temos que dizer que foi obrigatório estabelecer um prazo para a criação do álbum, caso contrário, o mais provável era que ainda não o tivéssemos acabado.
Todos os dias trabalhamos sozinhos em 2 estúdios e depois misturamos tudo no nosso novo estúdio em Berlim.
Tiveram alguma fonte de inspiração específica?
Dirt Crew: Inspiramo-nos sempre na música que ouvimos de outros artistas, de outros dj’s, e do que ouvimos nas rádios e nas nossas viagens.
Que tipos de sonoridades tentaram explorar?
Dirt Crew: Não nos quisemos manter num único género, achamos que o álbum consegue ser diverso. A maioria dos temas consegue ser mais profundo do que os nossos últimos singles na Moodmusic ou MBF.
Bons e maus aspectos de produzir com dois cérebros em vez de um?
Dirt Crew: Nós diríamos que as vantagens superam largamente as desvantagens. Toda a gente tem os seus talentos especiais, e é por isso que nós separamos o trabalho por tarefas. É claro que por vezes temos opiniões divergentes sobre o caminho que devemos seguir num tema, mas isso é normal e saudável.

Na última entrevista, vocês afirmaram que a vossa ferramenta de trabalho favorita eram os mac’s e o software Logic. Considerando que está a tornar-se num procedimento habitual junto dos produtores, poderemos aguardar uma “live performance” na tour deste álbum?
Dirt Crew: Vamos realizar algumas actuações ao vivo, mas preferimos o djing, para nós é mais divertido do que actuar ao vivo.
Onde é que vocês se situam na guerra entre o analógico e o digital?
Dirt Crew: Nós ainda produzimos com os mesmos sequenciadores. Não utilizamos analógicos, mas é claro que gostamos do som das máquinas antigas. Eu preferia ter um verdadeiro Moog, mas o material é demasiado caro e já estamos habituados aos plug-ins.
Como é que as vossas editoras (Dirt Crew e Players Paradise) se estão a portar?
Dirt Crew: Tal como todas as editoras, nós estamos a notar um decréscimo na venda dos vinis. Os nossos clientes estão a preferir comprar os nossos temas em lojas como o iTunes, Beatport e Juno. De qualquer forma estamos contentes com as vendas e com os artistas que trabalhamos.
E relativamente a vocês, o que se aproxima no universo Dirt Crew?
Dirt Crew: O nosso próximo passo é a promoção do álbum, que demora muito tempo. Depois entramos na tour oficial do álbum e começamos a pensar nos remixes para o álbum.
Ainda se lembram da vossa actuação na Madeira? O que acharam?
Dirt Crew: Claro que sim! Adoramos a noite e também a ilha que é lindíssima! Esperamos voltar em breve.
Tracklist
CD1
1. Coming for You
2. Big Bad City
3. Deep We Are (Dub)
4. Boogie Down
5. Places
6. How does it feel
7. In the Park
8. Get Raw
9. Manoeuvres
CD2
1. Metrika - Time (Dirt Crew Acid Mix)
2. Marc Romboy - Jack is Back (Dirt Crew Remix)
3. M.A.N.D.Y - Naomi (Dirt Crew Ghetto Mix)
4. Hoel James: Maurris Light (Dirt Crew Remix)
5. Who Made Who: Space for Rent (Dirt Crew Remix)
6. Linus Loves - Night Music (Dirt Crew Remix)
7. 2020 Soundsystem - Tape (Dirt Crew Remix)
8. Freestyle Man - Juna (Dirt Crew Rework)
9. Jimpster - Seventh Wave (Dirt Crew Rework)