
Se pensarmos nas mais conceituadas editoras “underground” europeias, um dos nomes óbvios que irão surgir, é a britânica Bedrock de John Digweed. Com lançamentos que atingem sucessos constantes, a Bedrock estabeleceu-se hoje em dia, como uma boa fonte de novas sonoridades electrónicas. Ainda recentemente, com “Zero Gold” do belga Pole Folder, esta editora lançou o seu primeiro álbum de originais, algo que segundo Digweed será para dar continuidade em breve.
Para já, a Bedrock apresenta-nos o segundo capítulo de “Layered Sounds”, uma compilação que pretende reunir os melhores de todos os trabalhos já editados! Fomos falar com John Digweed sobre a sua editora, a sua carreira, e esta nova compilação que merece o nosso destaque, por uma excelente combinação entre um 1º CD downtempo, e um segundo CD mais ritmado.
Olá John, tu és uma grande referência dentro da “house scene” internacional, mais especificamente dentro da sua vertente progressiva. Sei que odeias o facto de rotularem o teu som, e por isso é que pergunto, como definirias tu uma noite com John Digweed na cabine?
John Digweed: “Forward thinking electronic house music”. É muito frustrante quando as pessoas apelidam o meu som de progressivo, até porque esse termo ganhou vida própria, e isso nem sempre é positivo. Significa também que muitas pessoas podem nem tentar ouvir algo que poderiam eventualmente gostar.
Gostavas que algum clube ou promotor te contactasse e te pedisse para tocar uma noite, em que a sonoridade fosse tudo menos “progressiva”?
JD: Volta e meia eu tenho a oportunidade de fazer isso. Ainda recentemente toquei numa festa incluída na tour do meu álbum “Choice” que saiu pela Azuli, onde toquei muitos clássicos, e algumas coisas como Stone Roses, é sempre muito divertido. Mas ao fim do dia, gosto do facto dessas noites apenas acontecerem ocasionalmente, é melhor para mim.
O álbum “Zero Gold” de Pole Folder, que saiu recentemente pela tua editora, a Bedrock, é quanto a nós um dos melhores álbuns electrónicos do ano! Desde o seu lançamento que aguardamos ansiosamente pelos remixes que eventualmente poderão surgir. Actualmente apenas um está disponível, o remix de “Salvation on Slavery Sins” de Nick Muir. Quando é que sairão os restantes remixes, e quem os fará?
JD: Há dois temas que já foram remisturados, e que estão prestes a sair, “Inner Turmoil", remisturado por Stel, Marko e Pole Folder, e ainda “Scared to Lose” remisturado por Pole Folder & CP.
Ambos os temas têm um grande poder de pista, mantendo aquela vertente “funk” que tanto sucesso tem feito pelo mundo inteiro. Outro facto muito importante é o de ambas as versões manterem o espírito original do álbum.
O álbum tem vendido bem? A Bedrock tem algum outro álbum prestes a ser lançado?
JD: Estejam atentos, pois temos várias coisas em fase de lançamento. Álbuns de originais de artistas são definitivamente o caminho para onde queremos seguir. É uma forma muito mais satisfatória de criar e desenvolver a carreira de novos artistas.
O último lançamento da Bedrock, é a compilação “Layered Sounds 2” Qual será a melhor forma de definir esta compilação, e já agora, 3 razões pelas quais o público devia compra-la.
JD: É um grande reflexo da diversidade e qualidade da Bedrock hoje dia e no futuro.
- O remix do tema “Glimmer” de Quincy Jones & Bill Cosby. Não vão acha-lo em muitos outros sítios!
– Um dos melhores álbuns de downbeat que anda por ai. Muito elaborado, e sem músicas “para encher”.
– Um grande Bedrock Club Mix para preencher o tempo desde a ultima festa Bedrock, e o aquecimento para a próxima.
Este é o segundo Layered Sounds, e tal como o primeiro também inclui um CD downtempo. É esta a melhor forma de expor perante o grande público alguns temas menos conhecidos da Bedrock ?
JD: Os temas lá incluídos, mostram a profundidade e a diversidade que é possível atingir na música electrónica, sem sucumbir a música básica ou chata. É uma oportunidade de dar-vos algo que não encontrarão em outro lado, um álbum diferente, que mostra do que é capaz a editora, os artistas, e toda a scene.
Tu não és um daqueles dj's alérgicos às novas tecnologias. Investiste num novo site, afirmas usar cada vez mais os CD's, demonstraste-o no Pacha ao não usar vinil, e inclusive aderiste ao Logic. Que futuro vês nos djing?
JD: O que o Sasha está a fazer com o Ableton e com o Maven é bom porque permite muita experimentação, e obténs resultados impossíveis de conseguir sem aquela tecnologia. O futuro da cabine é hoje em dia muito incerto, existe um movimento digital muito forte, e todos os novos talentos já estão bem dentro desse meio. Eu continuo a ter um fraquinho pelo vinil, e continuo a comprar muitos discos, embora os passe quase todos para CD.
Falando em digital, como é que estão as vendas digitais da Bedrock?
JD: Estamos todos espantados com o número de pessoas que efectuaram downloads a partir do site da Bedrock, e acho que o fizemos da melhor forma, disponibilizando digitalmente todo o nosso catálogo de uma só vez. Vamos começar agora a fazer o mesmo com o iTunes, e isso é muito excitante, pois lá dentro encontramos muita informação e muita música nova, podemos perder horas lá dentro! O Beatport também está a fazer um trabalho fantástico com as músicas mais recentes do nosso catálogo, e pela primeira vez disponibilizou um álbum por inteiro, com o Layered Sounds.
O que é que se aproxima no teu calendário? Sabemos que vais lançar o tema “Santiago” que criaste com o Nick Muir.
JD: É verdade, “Santiago” sai em Outubro, e estamos já a receber os remixes, que estão a ir muito bem! Eu tenho passado mais tempo no estúdio ultimamente com o Nick, por isso deverá haver novidades em breve. Estou ansioso por chegar às próximas tournée nos Estados Unidos, Japão e Austrália.
E que mais têm a sair pela Bedrock em breve?
JD: Layered Sounds 2 é o álbum que está mesmo a ser lançado no momento, e até agora tem sido um bom ano, com lançamentos como as “Original Séries”, com Jonathan Lisle e Luke Fair. Mas tal como mencionaste, temos alguns temas a sair pela editora, nomes como Pole Folder e Gutterstylz, e mais uma ou outra coisa que deverão ser interessantes.