
O projecto Audiofly é composto pelo britânico Anthony Middleton e pelo italiano Luca Saporito. Conheceram-se em 2002 e decidiram começar a trabalhar juntos na produção de novos temas. Desde então efectuaram diversos lançamentos de sucesso por editoras tão conceituadas como a Low Pressings, Deleted Records, Sixty Four, Moodmusic e Saw Recordings.
Actualmente o projecto atingiu um estatuto interessante dentro da cena internacional, chegando mesmo ao ponto de serem considerados uma das melhores duplas de produção a nível mundial.
O seu próximo lançamento é “Undulation 2” , uma compilação da SAW Recordings cuja primeira edição contou com uma selecção musical e mistura de Satoshi Tomiie e Hector Romero, mentores da editora.
Olá rapazes, vamos falar um pouco do início dos Audiofly. Como se conheceram e, quando surgiu a ideia para a criação do projecto?
Audiofly(Antony): Conhecemo-nos em 2002 numa festa que eu estava a produzir para um projecto em que estava envolvido. O Luca actuou nesse evento, mas como não tínhamos orçamento, ele ofereceu-se para tocar gratuitamente e nessa altura falamos que poderíamos trabalhar em conjunto no futuro.
Mantivemo-nos em contacto e alguns meses depois o Luca teve a oportunidade de remixar um tema para uma pequena editora, decidimos colaborar nesse remix e tudo surgiu a partir daí.
No comunicado de imprensa, vocês afirmam que estão a tentar criar um som característico no vosso dj-set. Qual é essa sonoridade?
Audiofly: O som dos Audiofly é uma fusão de temas ritmados que evolve sempre uma componente melódica importante. Tentamos sempre levar o público até uma viagem profunda, mantendo-a assim enquanto não se tornar maçadora, depois tentamos criar pequenas erupções de momentos musicais mágicos. Quando o conseguimos fazer, o efeito no público é incrível.
Muitos dj's têm a tendência de tocar um grande tema atrás do outro (nós também já cometemos esse erro), mas a ironia é, que quando fazemos isso normalmente acontece o efeito contrário ao pretendido, já que o público não consegue absorver todos os temas.
Esta é a vossa primeira compilação e temos a certeza que a tentaram tornar diferente e original. Qual foi o processo de criação e, quais os objectivos de “Undulation 2” ?
Audiofly: Basicamente nós isolamo-nos com o Ableton Live numa pequena vila em Ibiza e começamos a experimentar …
Saímos dessa sessão de 4 dias com algumas boas ideias e um grande bronze! (risos)
Ao longo das semanas seguintes lá fomos descobrindo que direcção deveríamos seguir. O Ableton é uma ferramenta incrível para trabalhar e permitiu-nos uma maior liberdade criativa, nomeadamente na mistura dos temas. Algumas das músicas também parecem ser feitas umas para as outras, facilitando a mistura e tornando tudo muito mais agradável.
Os nossos objectivos nunca foram muito claros, até porque não tínhamos um objectivo fixo. Apenas queríamos produzir algo que tivesse o nosso estilo e, que proporcionasse ao ouvinte uma boa ideia do que seria uma noite com os Audiofly. Resumindo, a compilação tomou forma à medida em que íamos trabalhando nela.
O Ableton Live tem também feito parte dos vossos dj-set's. Qual a vossa opinião destas novas formas de proporcionar música e, onde se colocam na discussão digital VS analógico?
Audiofly: Nós temos usado muito o Ableton tanto em estúdio como nas actuações, mas decidimos que os nossos set's normais (sem Ableton) tinham muito mais piada, já que somos mais dinâmicos quando apenas estamos a tocar discos.
As coisas não correm da mesma forma quando estamos ambos a olhar para o ecrã do computador e também achamos que o público nota a diferença. Por isso definimos o Ableton apenas como ferramenta de estúdio … POR AGORA.
O Live não funciona bem nas nossas actuações ao vivo, mas já vimos artistas a fazer coisas incríveis com esse software … a diversidade das performances é o futuro do clubbing.
Relativamente ao conflito analógico VS Digital, nós acreditamos que não existe bom ou mau equipamento, apenas bons e maus produtores. A tecnologia digital ajudou novos talentos a entrar na indústria e isso é muito positivo. É verdade que o analógico possui uma qualidade difícil de reproduzir com equipamento digital , mas tudo vai depender da criatividade do indivíduo em questão e de como ele usará as ferramentas que possui, por exemplo, nós somos COMPLETAMENTE digitais!
Pontos positivos e negativos em produzir música com uma outra pessoa?
Audiofly: Normalmente o ponto que levanta mais polémica é que vai fazer o próximo chá ou café, esses debates costumam demorar horas! (risos)
Mas a sério, nós não temos muitos dias difíceis, amamos o que fazemos e geralmente não discordamos relativamente a música, quando isso acontece discutimos até ao ponto em que ambos vamos apanhar ar. A piada é que depois destas pausas, voltamos ao estúdio e produzimos os nossos melhores trabalhos.
A melhor coisa em produzir música com outros é que geralmente é mais divertido, pois podemos partilhar experiências, isto é igual no djing, muitas vezes dj's amigos nossos dizem-nos que temos muita sorte por ter alguém com quem viajar e desfrutar os momentos.
Qual o vosso set-up no estúdio, e qual o vosso “gadget” favorito?
Audiofly: Nós somos completamente baseados no computador, um duplo processador Apple Mac G5 e ainda o novo Access Vírus (que é USB). A nível de munição, temos alguns Alesis M1 e uns monitores mais pequenos, que são o nosso pequeno segredo para quando precisamos misturar.
A nível de software, utilizamos o Logic 7 e uma grande quantidade de plug-ins, o Access é divertido, mas também somos adeptos do Minimoog, e também recorremos frequentemente ao Reaktor.
Onde buscam a inspiração?
Audiofly: Normalmente ouvimos coisas quando vamos tocar, por vezes uma grande mistura poderá criar um novo tema. Agarramo-nos a essa vibe e mantemo-la na nossa cabeça até chegarmos a estúdio.
Por vezes é muito mais simples do que isso, basta termos a sorte de ouvir uma noite inteira de grande música e, o sentimento que dai advém é suficiente para te inspirar e criares algo.
Até pode ser mais abrangente do que isso, a energia do sítio onde vives, a forma como reages a certas pessoas, os sítios que visitaste, enfim tudo o que funcione a nível emocional.
Recentemente vocês produziram vários temas para a Saw Recordings e Moodmusic com um novo nome, “Audiofly X”. Porque razões sentiram necessidade de criar um novo nome?
Audiofly: Sentimos necessidade porque queríamos experimentar com a nossa música. Quando surgimos há alguns anos atrás, estávamos a desfrutar do recente movimento electro, na altura ainda conseguia ser original. Por isso produzimos música de acordo com género.
Ainda hoje produzimos alguns temas com esse género de influências, mas como odiamos estar parados, sentimos necessidade de evoluir. O “X” representa a nossa necessidade de inovar e experimentar, sem prejudicar a identidade Audiofly.
Esperamos que também seja uma forma do nosso público evoluir e descobrir novas sonoridades.
Que projectos têm planeados para o futuro?
Audiofly: Para muito breve está o lançamento da nossa primeira colaboração com o Sathosi Tommie, intitulada “Opus Ink”. Trata-se de uma viagem épica de 10 minutos através de uma fusão das nossas sonoridades.
Também sairá um novo Audiofly X EP pela Get Physical. Uma outra colaboração com Paul Harris , que sairá pela editora Rekids dos Radioslave. Um remix de DJ Remo, que sairá na nova editora VIVA de Steve Lawler. Uns quantos Rekleiner remixes (uma colaboração com Geddes). Não esquecendo o novo “Sleeper Thief EP” que está quase pronto para ser editado.
Também estaremos a tocar por todo o lado, Rússia, Europa, USA … Consultem os nossos sites para manterem-se a par do nosso calendário de actuações.